Sítio Histórico de Muqui

Sítio Histórico de Muqui

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Por Geovane Trol.

SÍTIO HÍSTÓRICO DE MUQUI

Localização: Centro Histórico de Muqui. Sede. Área urbana.

Localidade mais próxima do atrativo: sede.

Distância da localidade mais próxima: sede.

Distância da sede do município: Sede.

Acesso ao atrativo: rodoviário totalmente pavimentado, em estado regular e não sinalizado.

Descrição do acesso utilizado: partindo de Cachoeiro do Itapemerim, seguir por 28km pela ES-393 até a cidade de Muqui.

Transporte para o atrativo: rodoviário intermunicipal regular, em bom estado e não adaptado.

Legislação de proteção ao atrativo: Lei. Tombamento Municipal Nº 070/99 de 06 de Outubro de 1999.

Estado de conservação: bom.

Entrada do atrativo: ponte não adaptada.

Visitação: diariamente, sem horário definido, com visitas guiadas, acesso gratuito, sem autorização previa.

Acessibilidade do atrativo: permanente.

Tempo necessário para usufruir o atrativo: algumas horas.

Equipamentos e serviços no atrativo: serviços de limpeza, segurança, instalações sanitárias, área para lazer e entretenimento, locais para alimentação e hospedagem não adaptada.

Atividades ocorrentes no atrativo: visitação interna.

Integra roteiros turísticos comercializados?
Sim, através da Rota dos Vales e do Café. Coordenada pela SEDETUR.

Origem dos visitantes: local, municipal e entorno regional. Fluxo de visitação constante.

Descrição do atrativo: o município de Muqui concentra um valioso acervo arquitetônico e urbanístico, construído em função de diversos ciclos econômicos, todos eles vinculados à produção cafeeira.

A cidade de Muqui surgiu no final do século XIX na zona de confluência de duas fazendas: Entre Morros, que tinha como proprietário João Pedro Vieira Machado e Boa Esperança, que pertencia a João Jacinto da Silva. Embora não existam mais vestígios das sedes dessas fazendas, sabe-se que estavam localizadas nos atuais bairros: Boa Esperança e Entre Morros. A implantação da sede se deu entre a região de topografia acidentada, e o curso do Rio Muqui do Norte e do Córrego Boa Esperança.

O núcleo urbano inicial desenvolveu-se entre o vale do Rio Muqui do Norte, o Morro do Cruzeiro e Morro do Maturino onde hoje está localizado o centro urbano da cidade. Na medida em que o núcleo urbano ia se desenvolvendo, foi-se estruturando o eixo da Boa Esperança, que era o caminho que conduzia a diversas fazendas da região. No ano de 1901, com a chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Leopoldina e a posterior inauguração da estação ferroviária em 1902, a cidade inicia um novo processo de desenvolvimento econômico e urbano resultando na malha urbana hoje existente. Este crescimento proporcionado também em função da localização privilegiada , cidade boca de sertão, transforma Muqui possui um grande centro tropeiro localizado na região sul do estado. Todos esse fatores transformaram a região em um dos maiores centros de atração populacional do Espírito Santo até a década de 1940.

A cidade de Muqui vem sofrendo significativo crescimento urbano caracterizado pela ocupa ção das encostas dos morros sem a gestão necessária do poder público local. Da florescente cidade do café das décadas de 20 e 30 do século XX, ainda resta um significativo número de remanescentes arquitetônicos que apresentam características da arquitetura eclética requintada pelo apuro técnico de detalhes construtivos próprios daquele movimento de arte que se destaca pelas fachadas decoradas com elementos florais, varandas laterais com pinturas de temas de paisagem naturais próprias do neoclassismo.

A arquitetura das casa ecléticas que caracterizam o sítio histórico de Muqui sofreram influências deste estilo que primou por . um novo estilo de vida, prático, elegante e voltada para o conforto, possibilitado pelas facilidades oriundas da revolução industrial. Esta aliada à abertura dos portos brasileiros possibilitou a importação de materiais industrializados e fabricados em série próprios da industrialização, que resultam nas alterações estéticas que foram introduzidas em muitos edifícios coloniais ou que contribuíram na estética, de edifícios já construídos sobre este novo esquema.

A vinda da família real portuguesa em 1808, juntamente com a vinda da Missão Cultural Francesa em 1816 e, posteriormente, a fundação da Academia de Belas Artes que foram passos definitivos para a introdução dos novos gostos europeus no Brasil.

A nova moda exigia a adequação das construções às novas necessidades técnicas como os serviços e água e esgoto. Surge, portanto, a casa de porão alto, uma transição entre os sobrados e as casas térreas. As fachadas sofreram tímidas modificações. Contribuíram também para estas novas exigências na segunda metade do século XIX, a decadência do trabalho escravo e o inicio da imaginação européia.

Na medida em que a mão de obra utilizada para os serviços domésticos deixou de ter a contribuição dos negros, o porão alto além de preservar a intimidade do interior da casa, também passa a ser utilizado para o alojamento dos novo tipos de empregados mais especializados , além dos locais de serviços.começam a surgir também novos esquemas de implantação das construções, que deixam de ser geminadas e passam a ser afastadas de uma dos limites laterais dos lotes, conservando-se, entretanto, com freqüência a fachada principal sobre o alinhamento da rua. Através dos afastamentos surgem os jardins que permitiam maiores possibilidades de arejamento e iluminação. Além do porão, os afastamentos laterais também introduzem um novo ambiente que vai colaborar na preservação da intimidade das casas, as varandas. Estas surgem apoiadas em colunas de ferro e apresentam guarda corpo de gradis de ferro ou massa e são acessadas por escadas com degraus de mármore, que reforçam o ambiente de requinte e luxo introduzido na nova vida social brasileira, permitida pelo desenvolvimento econômico permitido pela cultura do café. Surgem também outros elementos arquitetônicos que tornaram-se comuns, tanto externa quanto internamente, os vidros nas bandeiras das portas e janelas, os vasos e figuras de louças do Porto, papeis de parede, espelhos, jarras de louça, piano, etc.As Coberturas deixam de ser simples telhados de duas águas cobertas com telhas coloniais, com as águas mestras voltadas diretamente para a rua e para os fundos do lote, que caracterizava desconforto aos transeuntes em dias de chuva e surgem soluções mais complexas em termos construtivos: telhados em quatro águas coberto com telhas francesas, e acabamentos dos beirais em lambrequins, calhas e condutores de águas pluviais produzidos em materiais como o cobre. Estes novos materiais também vão dotar as cidades mais importantes de novas tecnologias urbanas quando surgem: os primeiros passeios junto às casas, calçamentos e jardins ao gosto europeu cercados por grades de ferro, para que seu uso ficasse restrito às camadas mais abastadas.As edificações também passam a exigir novos partidos arquitetônicos. Abandonam o rígido esquema colonial de casas com corredores e alcovas passando por um novo ordenamento espacial.

A industrialização permite a produção em tijolos de barro que vão substituir a taipa de pilão, os adobes, os pau-a-pique na execução dos fechamentos. Para completar o embelezamento as esquadrias deixam de ser simples tampos escuros e passam a surgir novos e variados desenhos em venezianas vidros. Além do rico acervo arquitetônico, no centro histórico estão concentrados 4 sítios de arqueologia histórica: Fazenda Entre Morros, Chácara da Palmeiras, Colégio Muqui e Fazenda Boa Esperança. A partir da década de 50 após curto período de decadência econômica provocada pelos efeitos retardados da crise de 1929 a cidade passa a sofrer os impactos do desenvolvimento através da renovação arquitetônica dos imóveis ecléticos por imóveis com características da arquitetura moderna, mas que encontrou no kitsch a sua verdadeira manifestação, representada pela mistura de materiais e copia dos elementos da arquitetura moderna de vanguarda produzida pelos arquitetos brasileiros da época. Este fenômeno se explica em função da proximidade com a capital federal, Rio de Janeiro, e suas estreitas relações comerciais por via ferroviária. As décadas de 80 e 90 no século XX caracterizaram-se pelo crescimento físico e desordenado, principalmente pela ocupação das encostas dos morros, em função do aumento do campo para a cidade na busca de ofertas e melhores condições de trabalho. Além da ocupação das encostas o traçado urbano sofreu com impactos de parcelamento de lotes de casas tradicionais. Esse processo, apesar de negativo desperta na comunidade local a importância da preservação do estoque imobiliário que caracteriza a historia de sua cidade.

Em 1988 foi encaminhado um abaixo assinado ao Conselho Estadual de Cultura, solicitando o tombamento da cidade, cujo processo encontra-se paralisado. No inicio do ano de 1999 foi criada a Comissão Pro-tombamento , responsável pela gerencia do processo de tombamento municipal. Como conseqüência desse trabalho, foram criados o Conselho Municipal de Cultura, Conselho Municipal de Turismo, além da Lei de Tombamento Municipal. Através do trabalho dos conselhos formado por pessoas da comunidade a região central da cidade foi tombada a nível municipal. Este processo foi gerido pelo Conselho Municipal de Cultura, que abriga em sua estrutura cidadãos das mais diversas áreas das artes: artes plásticas, artes cênicas e cinéticas, música, literatura, folclore e artesanato, patrimônio natural e patrimônio cultural.